Café Queimado e Outras Histórias

Ask me anything   Não invente desculpas para não escrever.

bequinho sinistro. #ny #manhattan #street

bequinho sinistro. #ny #manhattan #street

— 2 weeks ago with 1 note
#ny  #street  #manhattan 
011

Nasci em São Paulo, mas vivi a adolescência no Sul de Minas Gerais. Quando deixei minha cidade-natal, não sabia que um dia eu viria a ser essencialmente paulistana. Cresci no mato. Tinha lagartos no meu jardim e uma linda serra rodeada por cafezais a meio quilômetro da minha varanda. Eu andava muito de bike, e não havia regras para o trânsito de bikes. Eu andava muito a cavalo (ou “de cavalo”, como aprendi a dizer) e apostava corrida nas estradas de terra. Gostava quando me chamavam para ir à roça de alguém, porque eu sabia que encontraria algum cavalo para montar e tocar o gado no final da tarde. Eu também ia às festas do peão e assistia aos rodeios. Pescava com meu pai nos finais de semana quando ele vinha de São Paulo. A gente parava o carro no acostamento da rodovia, descia as pedras embaixo da ponte e sentava na beirada da represa de Furnas. Eu tinha medo de tirar o mandi do anzol porque ele tinha espinhos enormes, mas meu pai me ensinou a “pentear” as barbatanas em direção ao rabo e pressioná-las para que ele não enfiasse o espinho na minha mão. Mesmo assim, era muito para mim. Toquei caixa de guerra na fanfarra da escola em algum 7 de Setembro e fiquei orgulhosa. Batucava todas as cadências em qualquer superfície enlouquecidamente. Tarará tantam tarará tantam tarará… Nadava na piscina do clube e no rio Sapucaí. Acompanhava os enduros, as quermesses, os carnavais de rua e as cavalgadas. Sete anos depois, voltei para São Paulo.

Iniciei a faculdade, fui assaltada pela primeira e ainda única vez, apanhei de um mendigo ensandecido. Morei na casa de parentes, repúblicas, pensões, espeluncas (como diz um amigo). Publiquei um artigo científico na revista de estudos de língua portuguesa da Universidade de Kyoto. Convivi com gente louca boa e com gente louca ruim. Apoiei a invasão da Reitoria. Duas vezes. Tive muito pouco dinheiro. Fiz estágio e joguei fliperama quase todos os dias por um ano. Conheci a melhor amiga, o melhor amigo e os melhores professores do mundo. I got a real job.

Jantei em restaurantes caros e comprei um monte de roupas e livros. Vi os deuses DJs tocarem seus sagrados sets nas noites sem amor em SP. Eles sabem do ritmo da cidade. Tomei muito mais café aqui do que na terra do café. Troquei a prosa pela poesia e alimentei os bichos da Augusta. Conheci os sotaques de quase todos os estados do país. Muitos deles eram apenas sotaques. Atuei. Me abri, me fechei, me encostei em alguém, mas tive o samba e a paz do samba ali na pracinha da Vila Madalena, onde conheci os australianos.

Acho estranho ir à casa de alguém ou chamar alguém para vir à minha. Lá fora há muita coisa para fazer. Ando correndo e de cara amarrada, meio em fila, mas tenho doçura e amor. Às vezes a alma está vazia e a cidade a preenche com o óleo quente dos carros. Ainda sou paulistana, 011.

— 4 weeks ago
“i like my coffee like i like my  man”.

“i like my coffee like i like my man”.

— 2 months ago
Dexter, my baby serial killer.

Dexter, my baby serial killer.

— 2 months ago
Tem coisas que são fodas, tipo este pôster aqui. 

Tem coisas que são fodas, tipo este pôster aqui. 

(Source: benmcleodillustration, via theonlymagicleftisart)

— 2 months ago with 695 notes
directorscuts:

terrysdiary:

Me and Eli Roth

Swankin’ it up with Terry Richardson

Finally! s2

directorscuts:

terrysdiary:

Me and Eli Roth

Swankin’ it up with Terry Richardson

Finally! s2

— 2 months ago with 473 notes
tumblrbot asked: WHAT IS YOUR FAVORITE INANIMATE OBJECT?


Answer:

My Pai Mei action figure.

— 2 months ago
Cool-cult.

Cool-cult.

— 2 months ago